|
 “Qualquer coisa, conforme se considera, é um assombro ou um estorvo, um tudo ou nada, um caminho ou uma preocupação. Considerá-la cada vez de um modo diferente é renová-la, multiplicá-la por si mesma.” (p. 165) SOARES, Bernardo - Livro do Desassossego. Lisboa: Ática, 1982. Vol.2. No paradigma de Bernardo Soares/Fernando Pessoa, o sujeito da educação não é o educador que dá informação, mas é aquele que pensa e que sente e cujas sensações e pensamento estão incorporados numa viagem do espírito, onde nem o lugar da partida nem o de chegada têm recorte claro. Ora, esta ideia vem de encontro aos pressupostos defendidos por Philippe Perrenoud , de que “a insistência na aquisição dos conhecimentos não deve fazer esquecer a missão educativa da escola, entendida, no sentido lato, como preparação para a vida numa sociedade complexa, multicultural, que muda rapidamente” e que se abre para o mundo. Desde a sua instauração, o ensino obrigatório tem estado ao serviço da democracia, com a sua quota-parte de incitamento à tolerância e ao diálogo que isso comporta. Hoje, mais do que nunca, deve favorecer em cada um o desenvolvimento da identidade na diversidade, a abertura ao Outro e o enraizamento numa colectividade regional e nacional sem isolamento nem exclusão. Assim, a escola deve contribuir para desenvolver a tolerância e proporcionar a abertura a outras culturas, à igualdade de oportunidades, à participação democrática, à solidariedade, ao respeito pelo meio ambiente, à defesa dos direitos humanos, à rejeição das discriminações de todo o género. Reforçar tais valores e atitudes, no respeito pela personalidade e pelas crenças de cada um, deve ser uma das práticas da escola actual, como um espaço legítimo com outras preocupações que não a simples progressão nos conteúdos programáticos, em que se impliquem todos os elementos da comunidade escolar. O Projecto Educativo, de acordo com o Decreto-Lei n.º 75/08, de 22 de Abril, é o “documento que consagra a orientação educativa do agrupamento de escolas ou da escola não agrupada, elaborado e aprovado pelos seus órgãos de administração e gestão para um horizonte de quatro anos, no qual se explicitam os princípios, os valores, as metas e as estratégias segundo os quais o agrupamento de escolas ou da escola não agrupada se propõe cumprir a sua função educativa”. Assim, deverá fundamentar-se num processo em que a escola aprende a conhecer-se na dinâmica da formulação dos seus objectivos, que mais não são do que a expressão de um conjunto de valores, partilhados pela comunidade educativa, que os sente como próprios e que os quer partilhar com o meio que a rodeia. Trata-se, pois, de um instrumento flexível e aberto que deve dar resposta às necessidades, problemas e expectativas da comunidade educativa e enriquecer-se com as sugestões que sejam propostas. Como escola pública, aberta a todos os alunos, independentemente de raça, sexo, religião, ideologia política, estatuto social e económico, desde que reúnam os requisitos estabelecidos pela Lei e pelo Regulamento Interno, a Escola Secundária/3 de Alfena definiu, para a elaboração do seu Projecto Educativo, grandes linhas orientadoras educativas adequadas à realidade, que congregam e orientam a acção educativa da escola, em concordância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (Art.º 26), com os princípios estabelecidos na Constituição da República Portuguesa, com os princípios e objectivos da Lei de Bases do Sistema Educativo e com as linhas orientadoras do Projecto de Intervenção da Directora da Escola. Assim, concebe-se a Educação como: ˃ a articulação equilibrada do saber, do saber/ser e do saber/fazer, promovendo o desenvolvimento integral do aluno; ˃ um meio de formação de cidadãos na e para a liberdade e democracia, tornando-os indivíduos críticos, participativos, responsáveis e empenhados na mudança social, detentores de uma cidadania esclarecida; ˃ uma forma de promover os valores de solidariedade, liberdade, tolerância, justiça, pluriculturalidade, respeito pela diferença, respeito pelo património e preservação e defesa do meio ambiente; ˃ um meio de transmissão cultural e um factor de desenvolvimento da comunidade, através da interacção escola-meio. Em jeito de conclusão, acreditamos que, com o apoio de todos os agentes educativos e de um conjunto de estratégias de intervenção diversificadas, se conseguirão atenuar os problemas e melhorar a acção educativa da nossa escola, apesar da complexidade de factores que condicionam o sucesso dos alunos. Parafraseando Rui Grácio , consideramos ser possível criar uma escola “onde se abram os olhos para a observação directa das coisas, dos seres, das pessoas, se estimule a capacidade de os interrogar imaginativamente e de verificar o que a imaginação intuiu, onde se encoraje a elucidação ética da experiência vivida; onde a criatividade não seja tolhida, a sensibilidade embotada, exaurida a curiosidade; onde seja entendido a fundo que a faina da cultura e da formação pessoal é obra da vida inteira – e que a cultura só vive e o espírito só se forma na participação activa e criadora, ou para dizer numa só palavra: na autonomia”. Para ler o Projecto Educativo
► | ► | Anexo 1 - O meio | |
► | Anexo 2 - História da escola | |
► | Anexo 3 - Quadros referenciais da escola | | | Anexo 4 - Resultados dos inquéritos realizados para a elaboração do PE | |
► | Professores | |
► | Alunos dos ensinos básico e secundário | |
► | Funcionários | |
► | Encarregados de educação | |
► | Alunos dos cursos EFA | |
► | Anexo 5 - Análise SWOT |
Página actualizada em Junho de 2010 |